
Tenho 17 anos, duas irmãs, uma camisa do Bob Esponja e um futuro.
Meu futuro é quase incerto, mas faz tempo que é sempre o mesmo e há quem lhe atribua diversos adjetivos tais quais utópico e todos os seus eufemismos possíveis que são como suco de maracujá do MacDonnald´s – cada vez mais diluído em água.
Se tenho um futuro sonhador, amigos, daqueles que quase se assemelham aos sonhos impossíveis, é porque tenho propósito, que nada mais é do que sonho racionalizado, fantasia que se põe na balança.
Futuro? Que é futuro senão o desdobramento do presente?
O que há depois da pedra no caminho não é Drummond quem me diz, é o Quintana e sua utopia que antes de ser impossível é necessária para o próprio caminhar.
Tenho 17 anos e chegou o tempo em que a terceira escolha é como o terceiro olho de São Boaventura e vai muito mais além do que é tátil. É a pedra, o sedimento e o rio.
E a minha terceira escolha é tranqüilidade e quem sabe assinar uma coluna de alguma revista de circulação. Até lá, ainda terei 17 anos, duas irmãs, uma camisa do Bob Esponja e o meu futuro certo, imóvel, via lácteo)