segunda-feira, outubro 27, 2008

A HORA DA ESTRELA


A CULPA É MINHA
OU
A HORA DA ESTRELA
OU
ELA QUE SE ARRANJE
OU
DIREITO AO GRITO

Clarice Lispector


QUANTO AO FUTURO
OU
LAMENTO DE UM BLUE
OU
ELA NÃO SABE GRITAR
OU
UMA SENSAÇÃO DE PERDA
OU
ASSOVIO NO VENTO ESCURO
OU
EU NÃO POSSO FAZER NADA
OU
REGISTRO DOS FATOS ANTECEDENTES
OU
HISTÓRIA LACRIMOGÊNICA DE CORDEL
OU
SAÍDA DISCRETA PELA PORTA DOS FUNDOS

quarta-feira, outubro 15, 2008

Sentimento atômico descrito em simples palavras


É engraçado como o acaso acontece. De repente, e não mais que isso, decide-se sair de casa. Talvez para dançar - ou nem isso quando o barulho não se enquandra no substantivo música - e então de repente; de novo não mais que isso, dois corpos se encontram num quase-diálogo de um quase-encontro. Ainda mais engraçado é quando as memórias se chocam; a mesma cena se repete diversas vezes ainda que com uma margem de erro de espaço, tempo ou por simples incapacidade mental no que se refere a recordações.

Ainda me lembro quando meu corpo vibrava, com a força de todos as mínimas estruturas atômicas, ao pensar naquele ser, daquele dia, naquela música. As frases são refeitas e os dias acabam num mesmo propósito e com uma única oração: Que os meus átomos vibrassem na mesma sintonia que os seus, e que grudados ou não, estivessem juntos.

Assim os meus neurônios sensatos - as partes que, não deixando de serem constituídas por átomos, tomam as decisões - tentaram uma comunicação a distância com o ser desejado, e sem alarmes e sem surpresas constataram que os átomos seus ainda não vibravam, e se vibravam não permitiam que assim fosse. Foi então que meu corpo como um todo tentou achar em outros a felicidade encontrada naquele, mas nenhum tinha o mesmo timbre, o mesmo lábio, a mesma cor. E quando a idéia tristemente se encaminhava ao esquecimento, o impossível aconteceu.

Meus lábios estavam agora junto aos seus, nos peitos ardiam um sentimento e nas mentes ecoavam sete letras, de tal modo que hoje não consigo me ver senão junto à pele sua, e no arrepio facilmente me imagino de mãos dadas na areia da praia, ou voando num crepúsculo divino da simplicidade de um vale no interior do mundo. E no interior do meu peito não encontro nada além dela. Sou dela, ainda que nunca faça sentido.

P.S.: Eu te amo

segunda-feira, outubro 06, 2008

incompleto


Pobre dos vivos que ainda carregam duas grandes interrogações: a da vida e da morte! A grande tragédia é não saber como se morre (ao menos sabemos como se vive), para onde vamos então? Juro que não sei relatar fatos, nem criticar o desumanho. Se soubesse diria que o mundo está perdido, e que nem os heróis autodestrutivos sobrevivem aos loucos: partem num lapso de tranquilidade.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Ultimamente


Sou um composto só, único e indivisível. De tal modo que me farta toda e qualquer manifestação de complexidade de qualquer ser de qualquer canto... Prefiro, então, as coisas mais simples: um sorriso torto, uma melodia sutil, um fim de tarde vendo o mar! São coisas que me completam, me trasbordam de felicidade. Também ando afastado das coisas tristes. Um forma de me preservar, talvez até por uma questão lógica explicada por físicos, químicos ou escritores, que inclusive é chichê no mundo moderno: semelhantes se opõem de modo que os opostos compartilham os dias.

Não vejo isso como uma fuga de mim mesmo, mas como um cano de escape ou uma saída óbvia para tudo que estava fora do lugar (tal como café sem açúcar ou dança sem par). Se disse um dia que era uma metamorfose ambulante e hoje não o digo mais, é porque assim sou! e metamorfoses são tão comuns...

Se fosse nostálgico diria que as cores eram mais vivas e os dias mais intensos. Mas não sou.

domingo, setembro 28, 2008

São palavras que eu não conto.


E que comprimem meu infinito num processo inverso ao da grande explosão!

sábado, setembro 13, 2008

Nostalgia


Fingindo ser o desconhecimento a única razão dessa vida, me sinto preso a um corpo, não de forma, de solidão apenas. Então me transporto para lugares inexistentes, moldados pela simples vontade de não ser, não existir por um momento na culpa que degrada os dias mal vividos, de sonhos mal durmidos de uma noite escura.

É um tempo rápido para tão sutis pensamentos, que de sua simplicidade se perdem na vastidão dos segundos, fixando os dias em lentos fiascos de desencontro. O paradoxo que há nisso tudo, está em ter o que não se deseja e desejar o que não se tem. Eu quero ver o mar!

E me sinto mais uma vez preso à última frase, solta em um parágrafo desigual, espontânea e viva. Por isso faço dessas palavras suas reticências, o eco daquilo que passou e não volta. Nunca volta.

domingo, agosto 24, 2008

Desculpe, estranho


Eu voltei mais puro do céu.
[O astronauta de mármore - nenhum de nós]

quinta-feira, agosto 21, 2008

Inferno privê - Monólogo do dia frio




Morreram os atores. Meu teatro está face a face com a falência, tremendo as pernas como se viesse o próprio demônio. Nem os pobres românticos sobreviveram: de morte súbita em plena quinta-feira cinzenta. Sinto como se meu sangue entrasse em combustão sem motivo ou razão aparente, sinto como se me envenenasse com próprios venenos de culpa por próprios atos - os que de fato existiram e aqueles que adormeceram no mundo das idéias, esses bem mais tóxicos que os anteriores.
Guerra civil é pouco, vivo em explosões de seis segundos contados, evaporando meu sono cíclico. Seis segundos de longos anos que me apedrejam toda vez que faísca a memória. Palavras... Essas sim são confiáveis! Nem o tédio me surpreende mais.
Estou farto também de me sentir vazio, mundano, fazendo o que nao quero fazer, dizendo o que eu não quero dizer e vendo o mundo se acabar na frieza de frases curtas e mal ditas. Malditas frases curtas.
Boa noite, cadeiras vazias! Que as cortinas se fechem então.

terça-feira, agosto 19, 2008

Suspiros poéticos


Estou farto do lirismo forçado de cada aurora de café, e de menta, e de lágrima!

[Em preto e branco vejo eu

segunda-feira, agosto 18, 2008

Pepsi-cola (Homenagem [in]direta a alguém que, por ventura, faz aniversário hoje)


Os orientais, possuidores de uma sabedoria incrível, derramam lágrimas ao ouvir a palavra "aniversário". A tristeza consiste na ciência de que o indivíduo que assim se encontra viveu mais um ano num mundo onde reinam desigualdades, mentiras e seus afins, guerras e todas as características que o tornam cada vez mais inabitável - como que por ironia é, tambem, cada vez mais habitado.

Nós ocidentais, efêmeros que somos, compramos presentes e com todos os dentes possíveis cantamos melodias mal feitas. Uns, entretanto, preferem sorrir (sem dente algum) e copiar o que conhecidos ou até mesmo o próprio aniversariante fez um dia: dedicam palavras em endereços online... Fazem como a pepsi que, como dizem por ai, não passa da imitação da coca-cola e mesmo assim conquista fans de diversas latitudes (pelo menos não é kichuá). Proferem assim palavras de sinceros sentimentos.

Achei desnecessário citar nomes por medo errar na fórmula e virar dolly guaraná, mas evitar não pude: Rafael, velho... Parabéns. Felicidade é pouco, te desejo tambem tritezas para que com elas saiba glorificar os dias felilizes! Muito radiohead pra você (em pensar que a tempos atrás eu nao sabia nem escrever esse nome) E que o que chamamos de amizade dure por muitos e muitos anos - é dificil encontrar alguém do seu calibre com quem se possa dividir as páginas de um livro ainda idealizado, apenas.

P.S.: Não consegui ir tão fundo assim, talvez minha memória seja falha... Talvez minha habilidade ainda seja falha! Mas as palavras são sinceras.

P.P.S.: E eu adoro pepsi =D

terça-feira, agosto 12, 2008

É verdade.




Ainda que eu falasse a língua dos homens, ainda que eu falasse a língua dos anjos... As ruas vazias de gente continuariam me confiando segredos perdidos de qualquer andarilho noturno que por ali passou em um instante qualquer, perdido na lembrança do último crepúsculo, lento e indescritível, invadindo o peito com a fúria de mil agulhas. Ainda que fosse capaz de ouvir e entender as estrelas, as noites seriam longas mais uma vez, e mais uma vez me mergulhariam num profunto extase, os móveis se moveriam, e de repente se uniriam todos os tempos possíveis num perfeito conjunto de cores e notas musicais.


Ainda que eu soubesse quem sou, não deixaria de me supreender a cada vez que olho no espelho, perdendo minha face em reflexos tais... Estou acordado e todos dormem, e dormem... Num sono envenenado de rotina e desejo, no qual me assumo carne e osso, enquanto vagam os meus espítos solitários. A noite é muito longa, enquanto morro olham para terra do univerno, todos devem encontrar algum lugar no finito sem fim das minhas mentiras. Só o amor conhece a verdade! Espírito sensato, que de egoísmo esconde seu bem maior, nos mergulhando em falsos fragmentos de realidade, com toda a graça com que uma vírgem rouba todo e qualquer fio de racionalidade das nossas mentes; mente como ninguem é capaz de reproduzir... E o mundo fica lilás.

segunda-feira, agosto 04, 2008

E no caminho de Swann me perco e me encontro diversas vezes...


"Cessara de me sentir medíocre, contingente, mortal. De onde me teria vindo aquela poderosa alegria?"