sexta-feira, outubro 16, 2009

Me Encontre No Caminho

O trem que anda mais rápido chega mais depressa no final; e o que poderiam fazer os passageiros senão acompanhar? vão dentro no sonho de ver tudo com mais calma, com a angústia de deixar tanto verde ir embora no lado mais afastado da janela.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Oportunidade


Loucura. Só para aproveitar o quanto há de bom e para dizer que os que não acreditam nas palavras é porque não as usam da melhor forma. Loucura para agradecer, loucura para se desculpar, loucura para entender, loucura para ouvir, loucura para se recuperar, loucura para aprender. Loucura ou lucidez. Tanto faz! Existem ensinamentos que vêem de onde menos esperamos.

Obrigado, Tempo! (Mundo Naufragante)


Todos nós somos quase obrigados a nos afundarmos em incertezas quando ouvimos a voz prática e individualista do nosso próprio ego... E no naufrágio não se sabe mais o que é o bom senso, ou a capacidade de ouvir e de nos permitir sermos úteis a alguém (É só servindo a outro que se serve a sí).
Peço licença então para comparar tudo a um barco que mergulha no misterioso mar incerto. Todos sabem que o fim de suas vidas, bem como o de todas as coisas que os rodeaim (com exceção do mar) está muito próximo.
Alguns tripulantes desesperados com o fim se encarregam de fingir que estão salvos afim de ter a vida que sobra e, quem sabe, uma morte mais felizes. Esquecem, porém, que todo fingimento é triste e se gasta muito mais energia vivendo a mentira que encarando o que acontece.
Outros se desesperam e gritam a Deus e ao mundo pedidos de socorro. Se parassem de gritar, talvez, veriam que outros também gritam na intensidade que são capazes, e assim poderiam socorrer para serem socorridos. Mas eles apenas gritam.
O grande e interessante papael nessa história está, porém, nas minorias que são drasticamente opostas e por isso não se misturam, não brigam entre sí porque têm seus respectivos lugares e os ocupam conforme a consciência. As duas minorias são a dos comandantes e a dos observadores.

Os comandantes dão e obedecem ordens numa hierarquia; recebem lições que atendem aos próprios anseios e esperam sempre o reconhecimento de seu trabalho com a remuneração. O barco então passa a ser em seus olhos apenas um instrumento para chegar ao sonho: o dinheiro do fim da viagem. Eles gritam a todos do barco em naufrágio: "Mulheres e crianças primeiro!", enquanto no fundo torcem para poder salvar os que têm aquilo que desejam. É a matéria que os move. São os primeiros que morrem.
E a segunda minoria, que é humildemente menor que a primeira, entende que ali no naufrágio do egoísmo e da vaidade que combinamos representar por um barco, são todos iguais os indivíduos, todos sabem que estão afundando. É quando a sensatez desses observadores se trasforma em confusão e as almas que observam se perguntam porque todos não enxergam também a solução que os una num objetivo comum. Talvez porque são todos diferentes e ninguém além dos próprios náufragos pode dizer o que é certo. Os que observam são felizes por poder observar, e isso basta.
O barco então vai cada vez mais lento, enquanto os tripulantes estão cada vez mais rápidos em se salvar. Não encontram nunca a tranquilidade e sao tristes, pois. Morrem na esperança de salvação porque estão agitados demais para procurá-la. Ainda que os tripulantes sejam tão distintos, com sonhos de futuro tão diferentes, todos procuram o mesmo. E só querem se sentir bem, só querem estar salvos dos naufrágios de suas próprias almas.
Peço mais uma vez licença para perguntar a todos nós que navegamos: A que grupo queremos pertencer? Peço também que não leve minha pergunta a mal porque a faço com a inocência de um velho sábio e a simplicidade de um jovem aluno... Nós ainda temos muito tempo se agradecermos por tudo que acontece ao nosso redor...
Ainda que o barco esteja em vias de desaparecer no mar salgado, nenhum milímetro que se afunda não traz sabedoria. O que temos a decidir é se queremos realmente essa dádiva das águas. Quando as ondas fortes do destino fazem o barco rodopiar como uma folha verde na tempestade cinzenta, eu mais uma vez me pergunto: o que estamos nós procurando? e ainda: o que fazemos nós desta procura?

quarta-feira, outubro 14, 2009

Realidade para sentir




Sonho para vivenciar.

Céu


Ando pensando muito em qual propósito estou aqui, é impossível ter-se tantos dias e para nada utilizá-los e muito mais triste não saber como irei utilizar os dias que virão. Procurar a felicidade em coisas visíveis (que não necessitam sentir) é como esperar que do céu chova fogo - Se já existiu alguma rainha, esta foi a simplicidade; que se manifestamuda em quem a carrega como fiel companheira.

Quem não está só nao tem medo, quem nao precisa não chora, quem não tem simplicidade não vive (no sentido positivo da vida). E quem pensar que é coisa inacessível e anatural como tudo do mundo débil e materialista, ainda não entende o que é realmente. O amor só é amor se for simples, o sorriso só é verdadeiro se assim for.

Na verdade a rainha sem coroa está e sempre esteve com todos os seres vivos... Alguns a escutam, e felizes são. Ela é a essencia, é tudo aquilo que sempre existiu - Acho que a essa simplicidade chamamos de Deus.

domingo, setembro 27, 2009

Dois neurônios


Eu ainda brinco de mediocridade,

O que tem pra mim?

Um suspiro para tudo o que é bom e não tenho comigo agora. Gosto morno de saudade do que já tive. Onda do mar para o que ainda vou ter. Vento para o que desejo.
O que eu guardei ninguém viu. O que eu queria ter guardado, não pude. Os dias são muitos e a memória, muito pouca: foto encardida, varal onde estava o pé de jamelão. Onde está meu pé agora, não sei - Sigo os dias no vazio pulo das folhas de calendário de santo.
Hoje é dia avisar aos santos que a vida é mais que contar datas. Mas o que é de fato, não se sabe. Nunca se soube. Me lembro de uma frase que eu nao sei de quem, ficou sem dono sem fonte: O que eu quero não tem nome. Para o que tenho existe o muito obrigado. . .

sexta-feira, agosto 28, 2009

E se só me ama, me ame só. Como alguém que comprou a passagem e esqueceu da hora, que sorriu e não lembrou de ser feliz ou de beber as lágrimas salgadas de saudades de outros tempos quem sabe.
Se apenas me ama, me deixe livre. Correrei então diversos campos e quando os pés cansados se recusarem a caminhar, me deito na grama e esqueço. – O sol queima o que me resta de corpo, evaporando a minha alma, os mosquitos me sugam a essência, já não penso mais em dor ou alegria, sozinho me esqueço – E me esqueço que o sol queima e que os mosquitos sugam, me esqueço de mim e de meu amor solitário.
Se me ama só, e se possível for, me ame como a chuva de verão ou a última faixa do disco. E com carinho, com afeto, só te amarei só!

quarta-feira, agosto 12, 2009

Uma ponta de pena ou uma pena sem ponta

Eu só queria escrever diferente
Que os pontos e as linhas se comunicassem internamente
Assim como se comunicam o vento e as palavras

Queria encher o meu vazio de tudo
Sabendo que o tudo do mundo
Carrega consigo um muito de nada

Eu queria cantar a mais alta sinfonia
Para que as moléculas vibrassem no universo finito
[dos meus sonhos
Formando círculos de vermelhas melodias
E sorrir e morrer depois

Mas só por um dia
E assim então me reinventaria
Só para morrer de novo
Como o mais digno dos versos mortos antes de Eu nascer

sábado, junho 13, 2009

filosofia de uma madrugada de sexta


Ditoso este mundo: O que ninguem vê é tão simples, tão bobo... que todos vêem. O que ninguem escuta é justamente o que todos querem ouvir. A mudança é tão ultrapassada que muda quem não muda nada. Ditoso esse mundo.



Mas o que vc está procurando realmente?

segunda-feira, abril 13, 2009

fones de ouvido


Sempre muito me interessaram os inícios, onde pouco se sabe e a calma inocente governa os fatos e os seres que os constituem; onde não existe complicação ou filas bancárias, apenas calma... Paz fria de inverno. Mas os diálogos e os olhares problemáticos e coadjuvantes nos atraem como ímas, e a sedução está em se complicar, nos acordar do infinito em que nos mergulhamos anteriormente. A ausência de simplicidade chega a ser tão prazerosa que indispensável se torna.

Então nos julgamos indestrutíveis. E nos distroem - com direito a música, explosões e tudo. O filme de nossas vidas por um momento se mostra triste, algumas pessoas tapam os olhos preservando na mente os bons momentos iniciais. Mas a nostalgia dura pouco, é o fim. As coisas se resolveram e voltam ao normal ao mesmo tempo, nos preparando para uma nova tsunami de sensações.

Imagino que todos os finais sejam assim. Espirais luminosos que fundem o pincípio ao fim e a energia que a luz consome são os meios. Que os fins justifiquem e apaguem os meios, como páginas rasgadas ou memória perdida... os fones de ouvido dizem agora: Respiro. E eu não estou só! este ponto final é a mais fiel compania.

quinta-feira, abril 02, 2009

E outra vez conquistemos a distância


Do mar ou outra, mas que seja nossa!

(Fernando Pessoa)