domingo, setembro 28, 2008

São palavras que eu não conto.


E que comprimem meu infinito num processo inverso ao da grande explosão!

sábado, setembro 13, 2008

Nostalgia


Fingindo ser o desconhecimento a única razão dessa vida, me sinto preso a um corpo, não de forma, de solidão apenas. Então me transporto para lugares inexistentes, moldados pela simples vontade de não ser, não existir por um momento na culpa que degrada os dias mal vividos, de sonhos mal durmidos de uma noite escura.

É um tempo rápido para tão sutis pensamentos, que de sua simplicidade se perdem na vastidão dos segundos, fixando os dias em lentos fiascos de desencontro. O paradoxo que há nisso tudo, está em ter o que não se deseja e desejar o que não se tem. Eu quero ver o mar!

E me sinto mais uma vez preso à última frase, solta em um parágrafo desigual, espontânea e viva. Por isso faço dessas palavras suas reticências, o eco daquilo que passou e não volta. Nunca volta.

domingo, agosto 24, 2008

Desculpe, estranho


Eu voltei mais puro do céu.
[O astronauta de mármore - nenhum de nós]

quinta-feira, agosto 21, 2008

Inferno privê - Monólogo do dia frio




Morreram os atores. Meu teatro está face a face com a falência, tremendo as pernas como se viesse o próprio demônio. Nem os pobres românticos sobreviveram: de morte súbita em plena quinta-feira cinzenta. Sinto como se meu sangue entrasse em combustão sem motivo ou razão aparente, sinto como se me envenenasse com próprios venenos de culpa por próprios atos - os que de fato existiram e aqueles que adormeceram no mundo das idéias, esses bem mais tóxicos que os anteriores.
Guerra civil é pouco, vivo em explosões de seis segundos contados, evaporando meu sono cíclico. Seis segundos de longos anos que me apedrejam toda vez que faísca a memória. Palavras... Essas sim são confiáveis! Nem o tédio me surpreende mais.
Estou farto também de me sentir vazio, mundano, fazendo o que nao quero fazer, dizendo o que eu não quero dizer e vendo o mundo se acabar na frieza de frases curtas e mal ditas. Malditas frases curtas.
Boa noite, cadeiras vazias! Que as cortinas se fechem então.

terça-feira, agosto 19, 2008

Suspiros poéticos


Estou farto do lirismo forçado de cada aurora de café, e de menta, e de lágrima!

[Em preto e branco vejo eu

segunda-feira, agosto 18, 2008

Pepsi-cola (Homenagem [in]direta a alguém que, por ventura, faz aniversário hoje)


Os orientais, possuidores de uma sabedoria incrível, derramam lágrimas ao ouvir a palavra "aniversário". A tristeza consiste na ciência de que o indivíduo que assim se encontra viveu mais um ano num mundo onde reinam desigualdades, mentiras e seus afins, guerras e todas as características que o tornam cada vez mais inabitável - como que por ironia é, tambem, cada vez mais habitado.

Nós ocidentais, efêmeros que somos, compramos presentes e com todos os dentes possíveis cantamos melodias mal feitas. Uns, entretanto, preferem sorrir (sem dente algum) e copiar o que conhecidos ou até mesmo o próprio aniversariante fez um dia: dedicam palavras em endereços online... Fazem como a pepsi que, como dizem por ai, não passa da imitação da coca-cola e mesmo assim conquista fans de diversas latitudes (pelo menos não é kichuá). Proferem assim palavras de sinceros sentimentos.

Achei desnecessário citar nomes por medo errar na fórmula e virar dolly guaraná, mas evitar não pude: Rafael, velho... Parabéns. Felicidade é pouco, te desejo tambem tritezas para que com elas saiba glorificar os dias felilizes! Muito radiohead pra você (em pensar que a tempos atrás eu nao sabia nem escrever esse nome) E que o que chamamos de amizade dure por muitos e muitos anos - é dificil encontrar alguém do seu calibre com quem se possa dividir as páginas de um livro ainda idealizado, apenas.

P.S.: Não consegui ir tão fundo assim, talvez minha memória seja falha... Talvez minha habilidade ainda seja falha! Mas as palavras são sinceras.

P.P.S.: E eu adoro pepsi =D

terça-feira, agosto 12, 2008

É verdade.




Ainda que eu falasse a língua dos homens, ainda que eu falasse a língua dos anjos... As ruas vazias de gente continuariam me confiando segredos perdidos de qualquer andarilho noturno que por ali passou em um instante qualquer, perdido na lembrança do último crepúsculo, lento e indescritível, invadindo o peito com a fúria de mil agulhas. Ainda que fosse capaz de ouvir e entender as estrelas, as noites seriam longas mais uma vez, e mais uma vez me mergulhariam num profunto extase, os móveis se moveriam, e de repente se uniriam todos os tempos possíveis num perfeito conjunto de cores e notas musicais.


Ainda que eu soubesse quem sou, não deixaria de me supreender a cada vez que olho no espelho, perdendo minha face em reflexos tais... Estou acordado e todos dormem, e dormem... Num sono envenenado de rotina e desejo, no qual me assumo carne e osso, enquanto vagam os meus espítos solitários. A noite é muito longa, enquanto morro olham para terra do univerno, todos devem encontrar algum lugar no finito sem fim das minhas mentiras. Só o amor conhece a verdade! Espírito sensato, que de egoísmo esconde seu bem maior, nos mergulhando em falsos fragmentos de realidade, com toda a graça com que uma vírgem rouba todo e qualquer fio de racionalidade das nossas mentes; mente como ninguem é capaz de reproduzir... E o mundo fica lilás.

segunda-feira, agosto 04, 2008

E no caminho de Swann me perco e me encontro diversas vezes...


"Cessara de me sentir medíocre, contingente, mortal. De onde me teria vindo aquela poderosa alegria?"

segunda-feira, julho 28, 2008

Resposta (No alarms, but many surprises)


Amizade: onde, uma vez inventada, nada se cria, nada se perde, apenas são transformadas as coisas, inclusive as pessoas. É fato: nossa amizade andou por uns tempos em caminhos distintos, mas que bom que denovo percorre junta, talvez porque nos transformamos, meu velho! (Em algo melhor, é de se esperar).

E mesmo que o contanto ainda seja quase que apenas de dígitos do orkut, msn e blog (por que não?!) a idéia de criarmos um livro juntos foi uma das principais, senão a única, causa da nossa reaproximação, condordo. E também concordo: eu sou estranho, um pouco mais que o diminutivo! Mas agradeço por ainda poder confiar numas poucas pessoas. Juro que me surpreendi em saber que havia virado postagem de blog, e não de qualquer blog, do SEU... O mesmo que um dia me inspirou a criar este em que fasso vivos os meus pensamentos, minha "fábrica de palavras".

Nunca, pessimista que sou, me passaria pela cabeça que poderia ser tão importante assim. Obrigado (a que você deve fazer idéia). E para todos os olhos alheios que por aqui repousarem quero que saibam que eu sei que nada intenderam, e também que estou realmente feliz por isso.

P.S.: Radiohead me ensinou a ver o mundo de outra forma. Muito obrigado por isso também... Não esqueço que parte do que sou hoje foi você que construiu.

sábado, julho 26, 2008

Morte e Vida (meu amor em pó, solúvel)


Me disseram que o amor é uma saudade constante, sem egoísmo nenhum. Também disseram que faz com que as coisas passem como se não passassem, imortalizando-as em sentimentos tais. Acredito eu que o dono de tais palavras respirava amor, sentia amor, vivia dele, com ele e para ele... Em fim, o ser amante era o próprio amor, em comunhão tão perfeita capaz de enganar até os mais atentos olhos.

Que me perdoe respectivo emissor, mas para mim não passam de pensamentos de pálpebras fechadas, que com um complexo emaranhado de cílios adormece cada neurônio. Um a um, caindo como peças de um dominó enfileirado. É quando o sono dos ingênuos desperta um fluxo minunciosamente calculado que inunda até os mais desconhecidos lugares, num misto de teoria e realidade que dispensam qualquer transporte ativo, visto que se propaga de desejo e é energizado por emoção.

E no momento em que das veias pulam melodias surdas e que quase dos olhos brotam lágrimas, a fiel aliança dos cílios se rompe. As pálpebras tornam a se abrir e a pupila diminui, precisa e frágil se exposta aos raios solares. Os neurônios então acordam, e os atos, palpáveis que são, fluem no que denominamos rotina.

Amor proibido? Não. Incoveniente.




quarta-feira, julho 23, 2008

Reforma



Sinto, mas tenho que inventar um novo mundo... Um novo infinito particular que me complete, me defina, ainda que a pobre recíproca não seja das mais verdadeiras. Enquanto falo, os personagens do meu palco interior morrem, pessimistas e lentos como o vento no fim de frase que carrega os fragmentos de pólen mortos por um sonho não alcançado: imagem túrgida de gineceus que nunca conheceram. Insaciável, o melancólico incolor carrega ainda as cores dos suspiros perdidos e dos pingos de chuva, espalhando seu ódio pelas janelas tais.

Abomino, portanto, a primeira pessoa (As coxias estavam sós).

- Assim, o cidadão que aqui escrevia se despede, a abominável primeira pessoa era sua última palavra no leito de morte.

segunda-feira, julho 21, 2008

O casamento da viúva.


Perdido nas vogais e consoantes de um parágrafo, me dou conta de que até os dias se fazem mais intensos quando se tem sol depois de chuva.