segunda-feira, agosto 18, 2008

Pepsi-cola (Homenagem [in]direta a alguém que, por ventura, faz aniversário hoje)


Os orientais, possuidores de uma sabedoria incrível, derramam lágrimas ao ouvir a palavra "aniversário". A tristeza consiste na ciência de que o indivíduo que assim se encontra viveu mais um ano num mundo onde reinam desigualdades, mentiras e seus afins, guerras e todas as características que o tornam cada vez mais inabitável - como que por ironia é, tambem, cada vez mais habitado.

Nós ocidentais, efêmeros que somos, compramos presentes e com todos os dentes possíveis cantamos melodias mal feitas. Uns, entretanto, preferem sorrir (sem dente algum) e copiar o que conhecidos ou até mesmo o próprio aniversariante fez um dia: dedicam palavras em endereços online... Fazem como a pepsi que, como dizem por ai, não passa da imitação da coca-cola e mesmo assim conquista fans de diversas latitudes (pelo menos não é kichuá). Proferem assim palavras de sinceros sentimentos.

Achei desnecessário citar nomes por medo errar na fórmula e virar dolly guaraná, mas evitar não pude: Rafael, velho... Parabéns. Felicidade é pouco, te desejo tambem tritezas para que com elas saiba glorificar os dias felilizes! Muito radiohead pra você (em pensar que a tempos atrás eu nao sabia nem escrever esse nome) E que o que chamamos de amizade dure por muitos e muitos anos - é dificil encontrar alguém do seu calibre com quem se possa dividir as páginas de um livro ainda idealizado, apenas.

P.S.: Não consegui ir tão fundo assim, talvez minha memória seja falha... Talvez minha habilidade ainda seja falha! Mas as palavras são sinceras.

P.P.S.: E eu adoro pepsi =D

terça-feira, agosto 12, 2008

É verdade.




Ainda que eu falasse a língua dos homens, ainda que eu falasse a língua dos anjos... As ruas vazias de gente continuariam me confiando segredos perdidos de qualquer andarilho noturno que por ali passou em um instante qualquer, perdido na lembrança do último crepúsculo, lento e indescritível, invadindo o peito com a fúria de mil agulhas. Ainda que fosse capaz de ouvir e entender as estrelas, as noites seriam longas mais uma vez, e mais uma vez me mergulhariam num profunto extase, os móveis se moveriam, e de repente se uniriam todos os tempos possíveis num perfeito conjunto de cores e notas musicais.


Ainda que eu soubesse quem sou, não deixaria de me supreender a cada vez que olho no espelho, perdendo minha face em reflexos tais... Estou acordado e todos dormem, e dormem... Num sono envenenado de rotina e desejo, no qual me assumo carne e osso, enquanto vagam os meus espítos solitários. A noite é muito longa, enquanto morro olham para terra do univerno, todos devem encontrar algum lugar no finito sem fim das minhas mentiras. Só o amor conhece a verdade! Espírito sensato, que de egoísmo esconde seu bem maior, nos mergulhando em falsos fragmentos de realidade, com toda a graça com que uma vírgem rouba todo e qualquer fio de racionalidade das nossas mentes; mente como ninguem é capaz de reproduzir... E o mundo fica lilás.

segunda-feira, agosto 04, 2008

E no caminho de Swann me perco e me encontro diversas vezes...


"Cessara de me sentir medíocre, contingente, mortal. De onde me teria vindo aquela poderosa alegria?"

segunda-feira, julho 28, 2008

Resposta (No alarms, but many surprises)


Amizade: onde, uma vez inventada, nada se cria, nada se perde, apenas são transformadas as coisas, inclusive as pessoas. É fato: nossa amizade andou por uns tempos em caminhos distintos, mas que bom que denovo percorre junta, talvez porque nos transformamos, meu velho! (Em algo melhor, é de se esperar).

E mesmo que o contanto ainda seja quase que apenas de dígitos do orkut, msn e blog (por que não?!) a idéia de criarmos um livro juntos foi uma das principais, senão a única, causa da nossa reaproximação, condordo. E também concordo: eu sou estranho, um pouco mais que o diminutivo! Mas agradeço por ainda poder confiar numas poucas pessoas. Juro que me surpreendi em saber que havia virado postagem de blog, e não de qualquer blog, do SEU... O mesmo que um dia me inspirou a criar este em que fasso vivos os meus pensamentos, minha "fábrica de palavras".

Nunca, pessimista que sou, me passaria pela cabeça que poderia ser tão importante assim. Obrigado (a que você deve fazer idéia). E para todos os olhos alheios que por aqui repousarem quero que saibam que eu sei que nada intenderam, e também que estou realmente feliz por isso.

P.S.: Radiohead me ensinou a ver o mundo de outra forma. Muito obrigado por isso também... Não esqueço que parte do que sou hoje foi você que construiu.

sábado, julho 26, 2008

Morte e Vida (meu amor em pó, solúvel)


Me disseram que o amor é uma saudade constante, sem egoísmo nenhum. Também disseram que faz com que as coisas passem como se não passassem, imortalizando-as em sentimentos tais. Acredito eu que o dono de tais palavras respirava amor, sentia amor, vivia dele, com ele e para ele... Em fim, o ser amante era o próprio amor, em comunhão tão perfeita capaz de enganar até os mais atentos olhos.

Que me perdoe respectivo emissor, mas para mim não passam de pensamentos de pálpebras fechadas, que com um complexo emaranhado de cílios adormece cada neurônio. Um a um, caindo como peças de um dominó enfileirado. É quando o sono dos ingênuos desperta um fluxo minunciosamente calculado que inunda até os mais desconhecidos lugares, num misto de teoria e realidade que dispensam qualquer transporte ativo, visto que se propaga de desejo e é energizado por emoção.

E no momento em que das veias pulam melodias surdas e que quase dos olhos brotam lágrimas, a fiel aliança dos cílios se rompe. As pálpebras tornam a se abrir e a pupila diminui, precisa e frágil se exposta aos raios solares. Os neurônios então acordam, e os atos, palpáveis que são, fluem no que denominamos rotina.

Amor proibido? Não. Incoveniente.




quarta-feira, julho 23, 2008

Reforma



Sinto, mas tenho que inventar um novo mundo... Um novo infinito particular que me complete, me defina, ainda que a pobre recíproca não seja das mais verdadeiras. Enquanto falo, os personagens do meu palco interior morrem, pessimistas e lentos como o vento no fim de frase que carrega os fragmentos de pólen mortos por um sonho não alcançado: imagem túrgida de gineceus que nunca conheceram. Insaciável, o melancólico incolor carrega ainda as cores dos suspiros perdidos e dos pingos de chuva, espalhando seu ódio pelas janelas tais.

Abomino, portanto, a primeira pessoa (As coxias estavam sós).

- Assim, o cidadão que aqui escrevia se despede, a abominável primeira pessoa era sua última palavra no leito de morte.

segunda-feira, julho 21, 2008

O casamento da viúva.


Perdido nas vogais e consoantes de um parágrafo, me dou conta de que até os dias se fazem mais intensos quando se tem sol depois de chuva.

segunda-feira, julho 07, 2008

Lágrima:


Gota de humor segregado pelos mais íntimos infinitos!

segunda-feira, junho 30, 2008

Uma resposta para previsíveis perguntas.


Até dou libertade para ser contestado e, assumo, eu gosto disso! Como já disse alguém um dia: Que venham então as críticas. Mas me sinto na única e verdadeira responsabilidade de me arriscar nos horizontes inseguros e obscuros que, supostamente, irão por fim aparecer, não vejo assim outro caminho senão seguir. Que monstros irei por ventura encontar nesses abismos tais? Não sei, sinceramente. Como irei enfrentá-los? Tampouco... Ainda é válido aqui o antigo "quem arrisca não petisca".

Numa dessas arriscadas descobriram as Américas. Nenhum mostro, nenhum combate. Nem alarmes, nem surpresas. Apenas sonhos, quem sabe então realizados... Tento então me descobrir nos olhos de alguém e, pergunto eu, que mal há nisso? Olhos nos quais jorraram oceanos, algum dia enterrados num passsado não muito distante. Procuro o exato fuxo por onde brilhem os olhos desse alguém. Com açúcar e com afeto me deixarei então levar por esse elo que une exatamente as estrelas dos meus olhos e as estrelas dos olhos seus. Assim serei, então, feliz!


E que venham os abismos, e que venham os monstros. Certamente minha aliança luminosa irá me guiar.




quinta-feira, junho 26, 2008

Lembranças juninas


Se São João fosse vivo, ou ao menos tomasse a forma humana por um dia sequer, seria ele fumante. Meu Deus, quanta fumaça! O ar intragável sai das portas das casas inundando todo e qualquer mínimo cubículo que seja. E como se ja não bastasse, inventaram os fogos de artifício: igualmente mal cheirosos além de muito barulhentos.

Posso apostar que os espíritos guerrilheiros revivem seus tempos de glória - Para não dizer de espanto - com esses pedaços de barulho que entregam às crianças, por ironia, ou não, nunca irei saber, chamam-nas de bombas. Nada original: bombinhas de São João. Assim revivem (apartir daqui eu elimino esse verbo, viver ja não é o mais empregado), relembram os tempos de espanto. É até assombroso ver tanto sorriso com essas coisas, que com um elo invisível unem suas pólvoras àquelas que um dia destruiram as nações nada unidas.

Depois do assombro vem a tristeza: onde parou as cantigas? As bandeiras? A sanfona, insaciável? Quando diziam que a modernidade destroi as coisas nunca dei tanto valor...

segunda-feira, junho 16, 2008

Sem Título


Por muitas veses fui eu obrigado, por meu errado pensamento, ou por pensamentos certos porem errados - o que decerto daria no mesmo - a jogar fora, no sentido conotativo por assim dizer, todas as minhas palavras. Ora pois, como pode um mar viver sem água? Sabendo ainda que o real causador de sua falta foi seu próprio ato, bem ou mal pensado, de um dia qualquer facilmente esquecido no misterioso processo o qual denomina-se vida.

Dizem que palavras nos completam, e uma vez arrancadas de nossas mentes são como peças de um quebra-cabeça, se não guardarmos com justo cuidado se perdem e um dia faltam para que o todo se concretize. Assim me encontro. Fragmentado em meu próprio ato de existir. As palavras que um dia me completaram estão agora em um não sei onde, com qualquer num sei quem, ou pior, um não sei que. Quem sabe no estômago do num sei que, sendo digerido letra por letra, vírgula pro vírgula, de enzimas destrutivas e mal cheirosas. Se assim for, tal ser é hoje abençoado, carrega dentro de si pedaços do meu ser, sonho que volta a ser matéria... Como tudo volta àquilo que foi.

Um dia, confesso, fiquei apavorado com essa onda de matéria. Li em algum lugar que um átomo, sutil e pequenino, que agora está na curva do meu nariz, foi uma vez o átomo da cauda de um dinossauro. Sendo assim, espero que um dia meus sonhos se encontrem em algo imortalmente belo. Como o fiapo da pena da asa de um pássaro ou um daquelas sementes do dente-de-leão: livre em sua tragetória, carregado pelo triste vento em horizontes infinitos. Ou quem sabe nas curvas de uma bela mulher de uma bela futura geração de humanos, geração esta que, em fim, é capaz de pensar - e seguindo filósofos - é então capaz de existir.
Quando falo em futura bela geração de seres, não é por acreditar em um progresso de nossa condição biológica, mas sim por carregar comigo alguma esperança que assim um dia venha a ser. E fico feliz por ter esperança, ja que é nela que reside a felicidade. O conforto de ao menos crer em alguma saida, ainda que vista para muitos como uma ilusão, uma forma de mascarar a realidade. Ainda assim tenho esperanças, ainda assim feliz eu sou...

P.S.: Se hoje lhes confio tais palavras é só pelo desejo de entregá-las a algo superior de onde nunca saiam: as suas memórias.

segunda-feira, junho 02, 2008

De repente,


Não mais que de repente.
[...] da calma fez-se o vento que dos olhos desfez a última chama.