quinta-feira, junho 30, 2011

E POR FALAR EM DRUMMOND


Dia desses perguntaram-me: “Se pudesse ser qualquer pessoa, viva ou morta, quem seria?” E eu respondi. Não digo que foi no calor do momento porque estava chovendo e aqui no Nordeste quando chove as pessoas sentem frio. Também não foi nenhuma surpresa, dado a freqüência com que perguntas desse tipo são feitas... Surpreendeu-me a minha resposta!

Quem eu queria ser? Muito fácil! Eu queria ser aquele moleque frustrado com o sorvete de abacaxi, que mais parecia uma sombra gelada de qualquer outra fruta que havia sido madura a mais ou menos três anos atrás.

Eu seria aquele moço meio torto, quase morto, o gauche da vida. E então teria pedras no meio dos caminhos, Josés para se perguntar as horas, ou simplesmente dizer: “E agora?”. Teria um coração tão grande quanto o mundo ou seria eu Raimundos sem solução!

Poderia então escrever “Moça, flor, email” e nunca ser tão óbvio ou finitamente preso, em finais de ponto e vírgula. Se pudesse ser, quem eu seria? O Carlos. Não precisava nem ser Drummond de Andrade.

E pensando bem, eu já sou gauche, sou meio torto, sou quase morto, mas sou Gustavo. Será que precisa ser Nunes Monteiro?

4 comentários:

Anônimo disse...

Aquele bom texto para memorar grandes autores! :D

Inclusive já fiz isso uma vez, também, com um dos maiores autores que li. E ele era Nunes Monteiro, sim!

E Caio, aliás! =D

Ele já tomou sorvete comigo, pastelou em dias monótonos, discutiu de filmes de terror bobos a grandes viagens cinematográficas, já me chamou pra jantar depois da tarde com pipoca e refri. Aliás, além de torto, gauche etc, ele era um vampiro. E eu era mestre! Rá! Aliás, ambos eram mestres! Porque transformar manhãs sentados na escada num dia de semana em momento de reflexão poético-filosófica, só com muita maestria!

Um dia, inclusive, ele virou poeta, e toda a pipoca virou verso, toda escada virou rima e todo filme virou filosofia.

E nós? Morremos. Não, não. Morremos para o mundo. Nascemos para a poesia!

Nossa amizade é quase decassílabo!

Eta, fiz um decassílabo. HAHAHA!

Aquele abraço!

Luciana disse...

Gustavo ou Caio? Eis a questão. Gugu, que texto maravilhoso. Às vezes eu me sinto assim, só que não torta, mas me vejo sempre de outra forma. Quando li seu texto, senti uma pontada de esperança e alegria, isso é bom.
\o/

;)

Parabéns. *-------------* GuCa

Francyelle Monteiro disse...

E precisa ser mais que Gustavo???Um menino que tem as plavras nos dedos, os olhos verdes e um coração imenso. Ahh e que a prima aqui ama muito! hehe Você não é guache, é tinta a óleo, dura mais e me lembra Leonardo Da Vinci.

Parabéns!

Blogueira Fajuta disse...

É sempre bom passar aqui e ver escritos tão criativos, cheios de leveza e poesia, claro!

Um abraço.